domingo, 21 de dezembro de 2008

Exclusivo:Yamaha Dt180 Refrigerada a água!

Matéria de 1984 da revista duas rodas,que mostra uma alternativa para a refrigeração a ar da famosa dt180.Pelo visto o kit não obteve muito sucesso,pois pouco ouviu-se falar dele.
A refrigeração a água foi criada pela Draguem em forma de kit para a Yamaha Dt 180 S e para a Mx180.Apresenta pelo menos duas vantagens em relação ao sistema convencional:
Mantém a temperatura do motor no nível ideal e permite melhor preparação(veneno)
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À primeira vista parece uma Yamaha Dt180S igual às outras.Só que na parte superior do motor monocilíndrico de dois tempos não existem as aletas de refrigeração e do lado esquerdo nota-se um radiador estreio e alto.


Trata-se realmente de uma Yamaha Dt180S,só que com um kit para refrigeração líquida-recurso ainda não disponível em qualquer motocicleta de linha produzida no Brasil na época.Esse kit,feito pela empresa paulista Draguem,pode ser usado tanto na Dt como na Yamaha Mx180(Só que para a Mx o radiador é colocado na parte superior das bangalas,no local onde seria o farol).

Conta com o cilindro do motor,o cabeçote de alumínio,radiador para água,mangueiras,anéis,pinos,travas e braçadeiras.Todo o restante de peças é mantido original,inclusive pistão e biela.A vantagem que esse sistema oferece em relação ao original aparece principalmente em locais de muita lama,onde o motor deve render o máximo e o barro que se junta no motor dificulta a entrada de ar pelas aletas prejudicando o resfriamento e provocando uma diminuição de potência.

Com o kit,além de não haver aletas que acumulam barro,não é o ar que refrigera diretamente o motor,e sim a água que circula por ele internamente. Nesse caso,a preocupação foi a de colocar o radiador a uma altura em que a lama não atingisse,como na Mx,oque para a DT implica na retirada do farol.Em situações normais,a refrigeração à água não é tão necessaria ,e o sistema de refrigeração a ar original de fábrica mostra-se adequado para uso na cidade.No trail a utilização do kit para a refrigeração líquida é mais vantajosa,porque permite que um motor de pequena capacidade cúbica tenha um melhor aproveitamento em altas rotações,
sem superaquecimento.

Enquanto na Dt180S testada por Duas Rodas na edição nº91, o maior erro foi de 11,8% a 40 km/h.Quando o velocímetro da DT a água marcava 120 Km/h a moto rodava a apenas 96,3 Km/h.Mas isso mostra apenas como o uso constante pode alterar no funcionamento dos componentes.Os números do teste se referem sempre á velocidade real.
Pilotando

Ao se ligar o motor,o barulho é o mesmo da DT,uma vez que o escapamento é o original,e as mudanças feitas no motor não são suficientes para haver alguma modificação nesse sentido.

Quanto ao desempenho,talvez por algum problema de regulagem ou acerto de carburação,havia uma falha de funcionamento do motor,que acontecia quando a rotação chegava proximo aos 8.000 Rpm, e por isso provocou uma perda da velocidade final,assim como a velocidade máxima em cada marcha.

Além disso,dessa vez as mediçõesforam atualizadas por Expedito Marazzi,20 quilos mais pesado que Gabriel Marazzi,que realizou as medições da DT180S na edição nº91.
Assim como a DT refrigerada a água,a velocidade máxima foi de 109 Km/H na melhor passagem,enquanto na Dt original ela foi de 112Km/h,oque permite concluir que com uma melhor regulagem,e o mesmo piloto,a DT refrigerada a água teria uma melhor velocidade final.

Por razões semelhantes,a aceleração piorou, a DT original fez de 0 a 100 Km/H em 18,12 segundos,enquanto a DT refrigerada a água demorou 22,0 segundos.Já na retomada de velocidade,em algumas faixas como de 40 a 80 km/h, houve empate em 13,9 segundos.

Usada no fora-de-estrada(teste realizado por Patrick Kiehlmann),a DT equipada com radiador a água sobre o pára-lama dianteiro,pneu tipo cross,e motor movido a àlcool mostrou um comportamento muito mais agressivo do que a outra equipada apenas com refrigeração liquida- oque mostra as possibilidades de preparação da motocicleta equipada com refrigeração líquida.

Isso mostra também que,colocado lateralmente, o radiador de água não evita o barro que pode se acumular nele,como aconteceria com as aletas do motor original além do que fica sujeito a quebra em tombos ou ao ser atingido por galhos, no trail.



Mercado
Como está se tornando cada vez mais comum,quando as fábricas não sofisticam suas motos com equipamentos que existam nos modelos correspondentes no exterior,os fabricantes de acessórios se encarregam de fazê-lo.

E foi isso oque aconteceu com o kit Draguem para refrigeração a água.
E essa empresa não está sozinha disputando essa fatia,já que outros grupos trabalham em projetos semelhantes,inclusive trocando o sistema de termo-sifão pela bomba-d'água.

Esse mercado complementar parece,portanto,bastante promissor.
A proposta de comercialização da Draguem não é vender a moto completa,mas apenas o kit, por Cr$280.000,00(preço de março).

A instalação pode ser feita por mecânicos ou pelo própio comprador desde que atenda um pouco de mecânica com base em um folheto explicativo que acompanha o Kit.
A produção inicial ainda é pequena-100 unidades por mês- mas segundo a empresa deverá crescer em breve.

O kit pode ser para motores a gasolina ou a álcool.A taxa de compressão vai variar de acordo com o combustível usado.A escolha do radiador lateral ou frontal deve ser de acordo com o uso:quem pretende principalmente viajar ou andar em cidades,opta pelo radiador lateral,podendo manter o farol principal da moto;Quem deseja usar a moto exclusivamente no fora-de-estrada deve escolher o frontal.Quanto á preparação(envenenamento do motor, esse é um trabalho que fica a critério de cada comprador.

De forma geral,essa opção oferecida pela Draguem atende em parte ao interesse dos motociclistas brasileiros em ter em suas motos soluções técnicas equivalentes às existentes no exterior,como a refrigeração líquida.

Tecnicamente este tipo de refrigeração seria restrito a uma utilização muito severa e constanteno fora-de-estrada ou em motos muito preparadas.Mas pode atender também ao público que quer apenas "passear" com uma moto diferente.
Motor
Uma característica do conjunto Draguem é a não utilização de bomba para impulsionar a circulação da água,como ocorre na maioria dos motores refrigerados a águade automóveis e de algumas motocicletas.

Para refrigerar o motor de dois tempos e 176cc da DT, a água é impulsionada por um fenômeno físico conhecido por "termo-sifão" e que se torna bem simples de ser aplicado em motores onde o radiador pode se situar a uma maior altura que o motor,como nas motocicletas.

O funcionamento do sistema se baseia no fato de que a água mais quente tem menor densidade que a mesma água mais fria,isto é,o mesmo volume de água quente tem menor peso que a fria.
Assim,em um circuito onde há água em parte quente e em parte fria,a água fria,sendo mais pesada,tende a ocupar a parte mais baixa da canalização,enquanto a água quente ocupa a parte mais alta.Isso faz com que a água passe pelo radiador.

E essa água ,que se aqueceu ao refrigerar o cilindro do motor,esfria ao passar pelos tubos capilares do radiador.
Desse modo,completa-se o sistema,havendo a circulação e assegurando a refrigeração do motor.Ao preparar o kit Draguem,os construtores fizeram alterações nas janelas de admissão e expulsão dos gazes que ficou com novos ângulos,oque deixou a moto em boascondições para receber um "trabalho" de motor(envenenamento),que pode ser feito pelo comprador.

Duas motos com kit Draguem foram cedidas a Duas Rodas.Em uma foi montado o kit na Dt 180 Super, movida a gasolina,e sem nenhuma outra modificação em relação as outras Dt.
Sendo que com ela foram feitas as medições para se ter uma idéia do comportamento em relação às outras Yamaha Dt180.

A segunda,preparada exclusivamentepara o fora-de-estrada,tinha o álcool como combustível,pneus tipo cross,radiador no lugar do farol,"trabalho" de motor e escape dimensionado,oque alterou bastante o seu comportamento no fora-de-estrada.

Na moto para uso misto com radiador de água lateral,a mudança de ângulos nas janelas a fez passar dos 16,6 HP a 7.000 rpm de potência máxima para 18,2 HP a 7.200 rpm.
A taxa de compressão,que na DT original é de 7:1:1(na opção para o álcool,a taxa é de 12,0:1).Todas essas informações são dadas pelos fabricantes.
Comentários de carlos eduardo;

"Necessário não é.Mas pelo preço..."
Um motor sem aletas não é oque a gente está acostumado a ver pelas ruas brasileiras.
Também o radiador é algo visto normalmente só em motos de competição ou de grande cilindrada.Inevitavelmente isso chama a atenção numa yamaha Dt180S e quase todos os motociclistas gostam de chamar a atenção.

Além disso tenho dúvidas sobre a real nescessidade de se colocar um kit desse na dt 180,a não ser que o motociclista viaje muito freqüentemente em alta velocidade ou use amoto num trail ou enduro muito "puxado".

Existe porém,um outra maneira de ver a situação: se levarmos em conta o preço de uma moto nova e o quanto os motociclistas gastam em acessórios,ele não chega a se caro.Acho que eu colocaria um deles em minha moto.

Comentários de Patrick Kiehlmann;

"O importante é que dá preparação"
Não é muito fácil sentir a diferença entre uma Yamaha Dt180 S original e uma equipada com refrigeração líquida.

Ela existe,mas para ser sentida é preciso forçar o motor,exigir muito,usar a motocicleta aonde uma Dt original ficaria superaquecida,perdendo rendimento,e isso pode acontecer após digamos horas forçando a moto.Com a moto vermelha,toda preparada para o fora-de-estrada a álcool,pneus cross,pude me "divertir" um pouco mais.

Já com a preta que era original e com radiador colocado lateralmente,fiquei preocupado em cair ou que algum galho acertasse o radiador,danificando-o.

O principal,na minha opinião é que um motor pequeno como o da Dt,tendo refrigeração líquida,possa ser muito melhor preparado para render mais.Essa operação é necessária para se vencer certos obstáculos só transponíveis com motos maiores.

É uma solução aliás adotada internacionalmente.Não cheguei a fazer um teste de longa duração,mas acho que a refrigeração líquida permite o motor trabalhar com temperatura mais uniforme e isso prolonga a vida do pistão e dos anéis diminuindo a manutenção.

[[Ciclo2Tempos]]

7 comentários:

douglas disse...

cara demais esse kit, nunca imaginei q havia existido algo do tipo. fikei fã desse blog

Danilo disse...

cara q loko esse blog pq naum conheci issu antes nossa

Anônimo disse...

pow gostaria de poder usar um kit desse, pois eu tenho uma mx180 original e por sinal e muito forte.

Ricardo disse...

Pelo vi que a revista é de anos atrás, gostaria muito de ter uma DT refrigerada a agúa pois costumo viajar com ela, hoje em dia tem para vender este kit no mercado?, Parabéns pelo blog !!!

schina disse...

Hoje em dia a Empresa não fabrica mais tal kit.É uma pena.

Iran mx disse...

Esse kits foi fabricaado pela
Wacs (Water cooled Sistem) hoje
fabricante de escapamentos , tenho um kits desse comigo sem radiador
e não possuem bomba dágua, valeu
Iran colecionador de motos antigas

Anônimo disse...

Opa Ricardo meu xará. Estamos em 2014 e tenho duas dt 180 1982 e viajo com uma delas. Você ainda viaja co a sua? me refiro a pequenas viagens ,no meu caso no maximo 250 km.abs